Hipotermia terapêutica

fatores de riscos e benefícios para o tratamento

Autores

  • Ramon Magalhães Coelho Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • Rodrigo C. C. Freitas Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.

Palavras-chave:

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Resumo

A hipotermia é a consequência do frio intenso em que o organismo é exposto, definida como o estado em que a temperatura corporal se encontra abaixo do normal. Tendo em vista que a síntese de calor se deprime quando mecanismos cutâneos e nervosos, chamados reguladores, se exaurem rapidamente fazendo com que haja queda da temperatura, foi estudado o resfriamento do sistema nervoso central para a prática terapêutica em pacientes comatosos, pois a declínio da temperatura leva à supressão dos controles hipotalâmicos, permitindo evitar sequelas neurológicas (SIQUEIRA, et Al. 2005). A prática terapêutica é controlada com objetivos pré-definidos e já existe há mais de 50 anos em cirurgias cardíacas, porém, recentemente está sendo usada em cirurgias neurológicas e utilizada, em adultos, nos tratamentos de pós-parada cardiorrespiratória (PCR) (FEITOSA-FILHO; SENA, 2009). Atualmente, submeter os pacientes comatosos pós PCR a hipotermia significa oferecer o melhor tratamento disponível para a síndrome de pós ressuscitação , o que tem importante repercussão ética e econômica(NOLAN et al,. 2003; POLDERMAN,2004; NOLAN,2005). Foi analisado, por um estudo observacional com controles históricos, a beneficência do uso da hipotermia no tempo da internação em UTI de pacientes pós PCR. Esses pacientes, além de evoluir beneficamente os desfechos neurológicos, apresentaram também uma redução no tempo de internação nas unidades intensivas em uma média de 21 para 14dias (STORM, 2006). Não obstante desses benefícios, a prática dessa terapia é limitada (MERCHANT,2006; ABELLA, 2005). A hipotermia é uma terapêutica pouco utilizada por intensivistas e emergencistas, profissionais estes que reanimam ou recebem os pacientes vítimas de PCR. Mesmo com a estimativa de pacientes comatosos pós PCR com possibilidade de melhoria em seu prognostico neurológico– uma media de 2300 (entre 300 e 9500) – a alta, se a hipotermia terapêutica fosse completamente implementada nos hospitais, surgiram dúvidas sobre se seus benefícios justificam a adoção dessa terapia tendo em vista o seu custo paralelamente ao prognostico em geral ruim nos pacientes fora do hospital. (MAJERSIK, 2008). O presente trabalho tem como objetivo uma revisão de literatura sobre os principais fatores de riscos e benefícios para o uso da técnica de hipotermia terapêutica nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), no intuito de aprendera importância dessa prática, mas conhecer quais são os riscos que podem ocorrer durante o tratamento. E como evidenciá-los para que haja melhoria e aprimoramento do trabalho do médico e da evolução do paciente. Para a revisão de literatura proposta, serão levantados os mais recentes artigos sobre o tema nas bases de dado Pubmed-Medline, Scielo, bem como nas principais bibliografias sobre o assunto.  

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Publicado

04-10-2014

Como Citar

Magalhães Coelho, R., & C. C. Freitas, R. (2014). Hipotermia terapêutica: fatores de riscos e benefícios para o tratamento. Congresso Médico Acadêmico UniFOA. Recuperado de https://conferencias.unifoa.edu.br/congresso-medvr/article/view/778

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