Doença Inflamatória Pélvica Aguda e repercussões sobre a infertilidade

Autores

  • Elis Schafranski Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.
  • Lara Danielle Nowak Centro Universitário de Volta Redonda, Volta Redonda, RJ - UniFOA.

Palavras-chave:

Doença inflamatória pélvica, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhea, Esterilidade

Resumo

Introdução: A doença inflamatória pélvica aguda (DIPA) é uma síndrome clínica caracterizada pela infecção progressiva do útero, tubas uterinas, ovários e estruturas adjacentes devido à ascensão de microorganismos do trato genital inferior para o superior, tais como a Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhea e bactérias aeróbias e anaeróbias da flora vaginal sendo causa frequente de complicações ginecológicas devido a alterações tubárias. A C. trachomatis está intimamente ligada à esterilidade, sendo responsável pela maioria dos casos. Os sintomas da DIPA são variados, tornando por vezes difícil o diagnóstico e a diferenciação de outras patologias genitais. A prevenção e as complicações dependem principalmente do diagnóstico precoce e do controle da transmissão. Objetivos: Conhecimento geral sobre o tema com exibição dos fatores de risco, predisponente e protetores, assim como o quadro clínico, diagnóstico e a relação da conduta clínica com as repercussões reprodutivas. Metodologia: Artigo de revisão no qual são analisados os principais estudos já publicados sobre DIPA e repercussões na fertilidade. Discussão: A DIPA é uma causa frequente de complicações ginecológicas e os maiores problemas não são as complicações imediatas, que são resolvidas com o diagnóstico precoce e correta antibioticoterapia, mas sim tardias que levam à infertilidade, gestação ectópica e dor pélvica crônica. Tem como principais fatores de risco mulheres em idade reprodutiva, baixa condição sócio-econômica, promiscuidade sexual, uso de dispositivo intrauterino, história atual ou pregressa de doença sexualmente transmissível (DST) e sexo desprotegido. Os fatores predisponentes estão relacionados a características como a raça negra, gestação, menstruação retrógrada e maior área de eversão do colo uterino. Já os fatores protetores, incluem o uso de preservativos, número limitado de parceiros, avaliação médica ao aparecimento de lesões genitais, corrimentos ou sexo desprotegido. Classicamente, apresenta dor pélvica, dor anexial e dor à mobilização do colo uterino, sendo o diagnóstico suspeitado em mulheres com quaisquer sintomas geniturinários, e não apenas à dor abdominal baixa, corrimento vaginal, menorragia, metrorragia, febre e sintomas urinários. A palpação e percussão do hipocôndrio direito podem ser dolorosas, refletindo a possibilidade de peri-hepatite gonocócica ou clamidiana (Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis). O diagnóstico é clínico e tem como base critérios que auxiliam na decisão. Critérios mínimos: dor no abdome inferior; dor à palpação anexial; dor à mobilização do colo uterino. Critérios auxiliares: temperatura axilar > 38,3ºC; secreção vaginal ou cervical mucopurulenta; proteína C reativa ou VHS elevados; comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo ou clamídia. Critérios definitivos: evidência histopatológica de endometrite; presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo-de-saco de Douglas; laparoscopia com evidência de DIPA. Para o diagnóstico são necessários três critérios mínimos e pelo menos um critério auxiliar. A conduta clínica se concentra na reversão precoce do quadro, pois a oclusão tubárea e as aderências são responsáveis por aproximadamente 20% dos casos de infertilidade, que dentre as complicações tardias é a mais importante e frequente. Mantém forte ligação com a infecção clamidiana que é causa reconhecida de dano tubário, 70-80% das mulheres infectadas a sintomatologia está ausente, favorecendo o aparecimento de lesões tubárias, causando esterilidade. Conclusão: Por se tratar de uma doença onde 90% dos casos tem por origem uma DST prévia, é importante informar os benefícios de um método de barreira seguro. Enfatiza-se para bom exame clínico e físico, atentando-se às queixas ginecológicas. Muitas vezes o diagnóstico é tardio devido à ausência de sinais e sintomas típicos, levando a complicações, principalmente infertilidade. Por isso, cabe à conduta clínica um diagnóstico precoce com reversão do quadro na tentativa de minimizar sequelas, diminuir riscos de reinfecção e recrudescência.

Referências

BEREK, Jonathan S. Berek & Novak, Tratado de ginecologia. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 1223p.

MOTTA VE. Doença inflamatória pélvica aguda. Aspectos atuais. Disponivel em RBM - Revista Brasileira de Medicina pgs 28 à 35. CASTRO BG; Doença Inflamatória Pélvica; MedLearn. Disponível em: http://www.medlearn.com.br/index.php/doenca_inflamatoria_pelvica/. Acesso em: 14 de jun. 2013.

FREITAS, Fernando; MENKE, Carlos Henrique; RIVOIRE, Waldemar Augusto; PASSOS, Eduardo Pandolfi. Rotinas em ginecologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed,

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Publicado

04-10-2014

Como Citar

Schafranski, E., & Nowak, L. D. (2014). Doença Inflamatória Pélvica Aguda e repercussões sobre a infertilidade. Congresso Médico Acadêmico UniFOA. Recuperado de https://conferencias.unifoa.edu.br/congresso-medvr/article/view/769

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