Análise epidemiológica de Hanseníase em Volta Redonda

uma perspectiva de uma década pelo DATASUS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47385/cmedunifoa1563102024

Palavras-chave:

Hanseníase, Mycobacterium leprae, Volta Redonda-RJ, Epidemiologia, DATASUS

Resumo

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica que persiste endêmica em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil, causada pelo Mycobacterium leprae. Embora uma nova espécie, o Mycobacterium lepromatosis, tem sido identificada como outro agente causal. A pandemia de Covid-19 em 2020 causou uma redução global na detecção de casos de hanseníase, incluindo no Brasil, onde a taxa de detecção já vinha diminuindo. A transmissão da doença ainda não é completamente compreendida, mas provavelmente ocorre por via respiratória, com disseminação hematogênica após a infecção do trato respiratório superior. No Brasil, a notificação dos casos de hanseníase ocorre via preenchimento da ficha de notificação compulsória, disponibilizada pelo Sinan. Esse sistema de informação de agravos permite o planejamento e organização das políticas públicas, via disponibilização dos dados pelo data-SUS O diagnóstico é predominantemente baseado em lesões cutâneas e alterações histopatológicas. Nosso estudo visa comparar a incidência de casos de hanseníase em Volta Redonda entre diferentes grupos étnicos, gêneros, níveis de escolaridade e faixas etárias, visando avaliar o preenchimento das fichas de notificação e identificar grupos vulneráveis para orientar políticas públicas. Foram coletados dados do DATASUS em 05/04/2024 sobre casos notificados de hanseníase em Volta Redonda de 2013 a 2023, analisando sexo, escolaridade e raça/cor. Os resultados indicam uma tendência decrescente na incidência de hanseníase ao longo do tempo, porém com uma diminuição desproporcional durante a pandemia de Covid-19. A população feminina representa 45% dos casos relatados, com possibilidade de subestimação devido a barreiras no acesso aos serviços de saúde e outros fatores sociais. Houve uma incidência maior de casos entre a população branca, contradizendo dados da literatura que apontam maior vulnerabilidade entre populações negra e parda, o que pode ser atribuído à maior facilidade de acesso aos serviços de saúde pela população branca. A análise da escolaridade revelou uma subnotificação significativa, comprometendo a identificação precisa dos grupos mais afetados. A subnotificação também foi observada durante a pandemia e nos meses seguintes. Esses resultados ressaltam a necessidade de políticas públicas para enfrentar a subnotificação e garantir um preenchimento adequado das fichas de notificação. É crucial implementar políticas públicas para enfrentar a subnotificação de casos de hanseníase em Volta Redonda, além de fornecer treinamento adequado aos profissionais de saúde para garantir um preenchimento consistente das fichas de notificação.  

Referências

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SINANWEB - Página inicial. Disponível em: <https://portalsinan.saude.gov.br/>.

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Publicado

12-07-2024

Como Citar

Silva, L., Brilhante de Moraes, M., Carneiro Rodrigues da Silva, E., Azevedo Freire Leite, L., Silva Soares Marins , W., & Torres Devezas Souza , A. L. (2024). Análise epidemiológica de Hanseníase em Volta Redonda: uma perspectiva de uma década pelo DATASUS . Congresso Médico Acadêmico UniFOA, 10. https://doi.org/10.47385/cmedunifoa1563102024

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