Jogos eletrônicos, decolonialidade e educação física escolar
experiências formativas no PIBID
DOI:
https://doi.org/10.47385/cedvr.2812.7.2026Palavras-chave:
Jogos Eletrônicos, Decolonialidade, Antirracista,, Educação Física Escolar.Resumo
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), enquanto política pública de integração entre universidade e escola, possibilita aos licenciandos valorizar saberes locais e diversidades de experiências do cotidiano escolar. Este relato de experiência apresenta, numa atuação coletiva dos licenciandos do PIBID, possibilidades de desconstrução de saberes hegemônicos nos conteúdos de Educação Física, com ênfase nos jogos eletrônicos, a partir da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER). A proposta buscou refletir criticamente sobre representatividade, discriminação e autoidentificação nos ambientes virtuais e práticas escolares, articulando tais temas à valorização da história e cultura afro-brasileira. A fundamentação teórica ancora-se no conceito de colonialidade, compreendido como estrutura de poder que persiste nas relações sociais, epistêmicas e institucionais, mesmo após processos formais de descolonização, perpetuando hierarquias racializadas de saber, trabalho e autoridade. Em contraponto, a decolonialidade emerge como movimento crítico e propositivo, visibilizando e valorizando práticas pedagógicas, epistêmicas e políticas comprometidas contra a colonialidade e com a construção de conhecimentos situados, plurais e enraizados nas experiências de sujeitos historicamente silenciados. Houve uma sequência didática desenvolvida em nove aulas com três turmas do 6º ano do Ensino Fundamental, abrangendo um bimestre de 2025, que incluíram: historicização dos jogos eletrônicos; análise iconográfica de personagens representativos; experimentação de jogos de primeira e segunda geração; abordagem crítica da trajetória do povo negro brasileiro; debate sobre estereótipos nos personagens virtuais; jogos no formato arcade, seguidos de produção textual sobre igualdade racial e pesquisa sobre personagens negros históricos; roda de conversa sobre oralidade ancestral; experimentação do jogo Dandara; e análise iconográfica da personagem Dandara dos Palmares, ressignificando referências históricas. A experiência evidenciou as múltiplas possibilidades de diálogo entre cultura corporal, jogos digitais, decolonialidade e ancestralidade, reafirmando a potência da Educação Física escolar como espaço de formação plural, intercultural e sensível às múltiplas identidades e diferenças.
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