Microinfartos cerebrais
detecção, causas e consequências clínicas
DOI:
https://doi.org/10.47385/tudoeciencia.2363.2025Palavras-chave:
Microinfartos cerebrais. Fatores de risco. Cognição.Resumo
Os microinfartos cerebrais (MICs) representam a forma mais prevalente de infarto cerebral, caracterizados por serem pequenas lesões que ocorrem dentro do córtex cerebral, geralmente assintomáticas e com menos de 4 mm de diâmetro. No entanto, apesar de seu tamanho pequeno, eles podem levar a problemas de memória, dificuldades de equilíbrio e marcha, e até mesmo problemas neurológicos mais graves. Além disso, as micro lesões cerebrais podem contribuir para o aumento do risco de desenvolver demência. Assim, o objetivo deste trabalho é realizar uma revisão de literatura sobre microinfartos cerebrais, destacando os métodos de detecção, causas associadas e consequências clínicas. Trata-se de uma revisão narrativa descritiva baseada em artigos publicados entre 2017 e 2025, obtidos na base de dados PubMed, utilizando os descritores “Microinfartos cerebrais”, “Fatores de risco” e “Cognição”. Foram aplicados critérios de inclusão e exclusão, resultando em 271 artigos inicialmente identificados, dos quais 8 foram selecionados por relevância após leitura prévia de títulos e resumos. A ocorrência dos MICs está relacionada a fatores como hipóxia, microêmbolos, arteriolosclerose e angiopatia amiloide cerebral. Os principais fatores de risco encontrados foram hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, fibrilação atrial, tabagismo e doença cerebrovascular prévia. Embora técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética 3T e a DWI submilimétrica, tenham melhorado a detecção dessas lesões, a neuropatologia ainda é considerada padrão-ouro, pois menos de 1% é detectado in vivo. As consequências clínicas incluem redução do volume cerebral, afinamento cortical, maior risco de demência vascular e pior prognóstico após acidente vascular cerebral isquêmico. Conclui-se que os microinfartos cerebrais, apesar de discretos e frequentemente assintomáticos, possuem grande impacto clínico, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e estratégias preventivas.
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